O rosto que se perde entre os outros rostos
não é o dele. È o de quem não sabe quem é; o
de uma sombra que fica por detrás da luz. A
diferença de um rosto para o outro, por vezes,
não é nada; e só o que sobra de um olhar, cuja
circunstância se esqueceu, pode fazer com
que os olhos se lembrem doutros olhos, ou
uma cor súbita, na tarde de chuva, levante
as nuvens do espírito, o inverno da alma,
e traga o movimento em falso de uma luz de
primavera, tão breve como as palavras que
dizem o amor, e como o amor tão breve.
Nuno Júdice
domingo, maio 13, 2007
Os teus olhos
Os teus olhos
fecham-se
quando beijam,
brilham
quando amas,
e desculpam-te
quando enganas!
Lisboa, 7 de Maio de 2007
fecham-se
quando beijam,
brilham
quando amas,
e desculpam-te
quando enganas!
Lisboa, 7 de Maio de 2007
sexta-feira, abril 27, 2007
Tarde de engano (Poema do ciúme...)

Rapariga com brinco de pérola (1665-1666)
Johannes Vermeer
Johannes Vermeer
Ergo-me numa fúria imensa
A minha força toda,
A minha raiva,
Para afastar de ti
… os meus fantasmas
Queria
que se desfizessem na bruma
Fria,
Duma certa manhã de primavera.
Queria
Que não tivessem rosto,
Não sorrissem
Nem tivessem forma,
Irreais!
Queria
Que te não tocassem.
Como eu te toco o corpo todo,
Dedos percorrendo-te
A língua
Sedenta dos teus beijos.
Queria
Que te não olhassem nos olhos
Lânguidos, no culminar do êxtase.
Numa tarde de engano!
Queria…
Mas olho os teus olhos,
O teu sorriso cúmplice...
E triste,
Sofrido,
Impotente,
Pressinto que não há fantasmas
Irreais….
Lisboa, 27 de Abril 2007
A minha força toda,
A minha raiva,
Para afastar de ti
… os meus fantasmas
Queria
que se desfizessem na bruma
Fria,
Duma certa manhã de primavera.
Queria
Que não tivessem rosto,
Não sorrissem
Nem tivessem forma,
Irreais!
Queria
Que te não tocassem.
Como eu te toco o corpo todo,
Dedos percorrendo-te
A língua
Sedenta dos teus beijos.
Queria
Que te não olhassem nos olhos
Lânguidos, no culminar do êxtase.
Numa tarde de engano!
Queria…
Mas olho os teus olhos,
O teu sorriso cúmplice...
E triste,
Sofrido,
Impotente,
Pressinto que não há fantasmas
Irreais….
Lisboa, 27 de Abril 2007
sábado, abril 14, 2007
terça-feira, maio 30, 2006
Always on my mind
Maybe I didn't treat you
Quite as good as I should have
Maybe I didn't love you
Quite as often as I could have
Little things
I should have said and done
I just never took the time
You were always on my mind
You were always on my mind
Tell me, tell me that your sweet love hasn't died
Give me, give me one more chance
To keep you satisfied, satisfied
Maybe I didn't hold you
All those lonely, lonely times
And I guess I never told you
I'm so happy that you're mine
If I make you feel second best Girl, I'm sorry
I was blind
You were always on my mind
You were always on my mind
Tell me, tell me that your sweet love hasn't died
Give me, give me one more chance
To keep you satisfied, satisfied
Little things I should have said and done
I just never took the time
You were always on my mind
You are always on my mind
You are always on my mind
Elvis Presley
[adapt. Linda Hopkins, Maio 2006, Lisboa]
quarta-feira, agosto 24, 2005
Você não me ensinou a te esquecer

Caetano Veloso [extracto... ]
Não vejo mais você faz tanto tempo
Que vontade que eu sinto
De olhar em seus olhos, ganhar seus abraços
É verdade, eu não minto
E nesse desespero em que me vejo
Já cheguei a tal ponto
De me trocar diversas vezes por você
Só pra ver se te encontro
Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou fazer por onde
nunca mais perdê-la
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
(...)
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou
e me deixou aqui sozinho
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
(...)
[Bruno Mattos / Odair José ]
sábado, agosto 20, 2005
terça-feira, agosto 16, 2005
Terei que te perder...
Saí a contar as estrelas
Na noite abafada
e húmida.
Vi-me envolto na névoa espessa
No tumulto dos sentidos...
Uma brisa gelada
inundou-me a alma
perplexo ainda...
inconformado
pela inutilidade
da reafirmação do amor!
Sinto-te perto
à distância de um gesto
à mercê duma jura
presa de um sorriso...
Mas estás tão longe...
para lá da névoa dos sentidos
conformada
com a inutilidade
de reafirmação da vida...
Terei que te perder,
quando te tinha...
para poder florescer
o teu jardim proibido!
sexta-feira, agosto 12, 2005
terça-feira, agosto 09, 2005
Ainda que mal

Ainda que mal pergunte,
ainda que mal respondas;
ainda que mal te entendas,
ainda que mal repitas;
ainda que mal insista,
ainda que mal desculpes;
ainda que mal me exprima,
ainda que mal me julgues;
ainda que mal me mostre,
ainda que mal me vejas;
ainda que mal te encare,
ainda que mal te furtes;
ainda que mal te siga,
ainda que mal te voltes;
ainda que mal te ame,
ainda que mal o saibas;
ainda que mal te agarre,
ainda que mal te mates;
ainda, assim, pergunto:
me amas?
E me queimando em teu seio,
me salvo e me dano......
de amor.
[CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE]
[Colagem Estéban Vicente]
sexta-feira, agosto 05, 2005
segunda-feira, agosto 01, 2005
The Lady's "YES".
"No", (that) morning, sir, (you) say:
Colors seen by (web-cam) candle-light
Will not look the same by day.
(Adapt. de Sonnets from the portuguese and other love poems. Illustrated in color by Adolf Hallman)
[Elisabeth Barrett Browning]
...Terra Quente e Terra Fria
Chãs - Vila Nova de Foz Côa
...Toda a vertente esquerda do Doiro até aos contarfortes do Montemuro, carne administrativamente enxertada num corpo alheio, que através do Côa, do Távora, do Torto, do Balsemão, desagua na grande veia cava materna as lágrimas do exílio.
Um mundo! Um nunca acabar de terra grossa, fragosa, bravia, que tanto se levanta a pino num ímpeto de subir ao céu, como se afunda nuns abismos de angústia, não se sabe por que telúrica contrição.
Terra-Quente e Terra-Fria. Léguas e léguas de chão raivoso, contorcido, queimado por um sol de fogo ou por um frio de neve. Serras sobrepostas a serras. Montanhas paralelas a montanhas.
...Não se sabe por que maneira este solo é capaz de dar pão e vinho. Mas dá! Por ser pão e por ser amassado com o suor do rosto. Sabe a trabalho. Mas é por isso que os naturais o beijam quando ele cai no chão...
[Miguel Torga. Portugal]
...
Olha queres ouvir-me?-
às vezes sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio do laranjal....
Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
eu saí da moldura
dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
[...Extracto do Poema à mãe, de Eugénio de Andrade]
Nada mais óbvio que pensar em ti, ao percorrer estas fragas que te viram nascer, crescer, amar e chorar!
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